Poemática por Nuno Guimarães
Publicado a 15 de Fevereiro de 2012



 


E a matemática pediu namoro à poesia, mostrando-lhe todas as suas qualidades que passavam por sinais aritméticos de riqueza, campos cheios de raízes quadradas e um coração infinito, onde cabiam todos os números perfeitos, como convém a quem se quer apaixonar. Ela, a poesia, achou-lhe graça. Encontrou-lhe alguma métrica e deixou-se deslizar em hipérboles que sendo linguísticas a levaram a exageros que nem o teorema de Pitágoras conseguira resolver. As incógnitas desta relação eram muitas, atendendo às suas personalidades ímpares, com números primos à mistura. Foram vivendo numa matriz de entendimento construída por rimas pouco lógicas e amores em fracções de denominador comum que sustentavam médias de paixão numa POEMÁTICA difícil de teorizar…

Nuno Guimarães - ex-engenheiro, leitor de Português nas Universidades de Vilnius e de Vytautas Magnus (Kaunas), com manias de poeta…


Artigo de Fevereiro

 

                 Título:  as operações do amor

        raciocínios matemáticos

        em colisão

        com uma vontade enorme

        de encontrar racionalidade

        nas operações do amor


        deixo a soma (+) a reger-se por regras de fusão

        mesmo de reunião

        principalmente quando está frio

        e a alma gelada

        (pela ausência de exercícios de álgebra complicada)

        adormece parada

        procurando uma mão

        que a agarre ao corpo

        há muito perdido

        em equações complicadas de solidão


        com a divisão (/)

        desenvolvo uma relação estratégica

        de não agressão

        fica para ali sozinha, num canto da memória

        independente

        com a sua bandeira hasteada

        ainda não identificada

        de uma só cor...

        é uma divisão arrumada

        com espaço suficiente para viver

        obrigatoriamente

        longe do coração


        quem subtrai

        trai

        rouba

        e cai

        na tentação de uma subtracção (-)

        pouco adequada às operações do amor

        e com dor

        a conta inversa observa

        apaixonada pelo oposto

        e em desgosto

        desespera

        e espera

        desespera

        e espera

        pelo nada, pelo zero, pela anulação…


        raciocínios matemáticos

        em colisão

        esperando ansiosamente

        a chegada da multiplicação (x)


        raciocínios matemáticos

        em colisão

        esperando religiosamente

        pela libertação





 

Artigos de meses anteriores:


Artigo poemática de Fevereiro - "as operações do amor"


Artigo poemática de Janeiro - "Números em Catadupa"


Artigo poemática de Dezembro - "Uma progressão de Natal"


Artigo poemática de novembro - "Números de Outono"

 

Artigo poemática de outubro - "Teorema dos Amor dos Conjuntos Infinitos"


Artigo poemática de setembro - "As Contas Todas"