Poemática por Nuno Guimarães
Publicado a 15 de Junho de 2012



   


E a matemática pediu namoro à poesia, mostrando-lhe todas as suas qualidades que passavam por sinais aritméticos de riqueza, campos cheios de raízes quadradas e um coração infinito, onde cabiam todos os números perfeitos, como convém a quem se quer apaixonar. Ela, a poesia, achou-lhe graça. Encontrou-lhe alguma métrica e deixou-se deslizar em hipérboles que sendo linguísticas a levaram a exageros que nem o teorema de Pitágoras conseguira resolver. As incógnitas desta relação eram muitas, atendendo às suas personalidades ímpares, com números primos à mistura. Foram vivendo numa matriz de entendimento construída por rimas pouco lógicas e amores em fracções de denominador comum que sustentavam médias de paixão numa POEMÁTICA difícil de teorizar…  

Nuno Guimarães - ex-engenheiro, leitor de Português nas Universidades de Vilnius e de Vytautas Magnus (Kaunas), com manias de poeta…  


Artigo de Junho

 

    Título: SE7E (7)


1 poema atrapalhado 
……. escrito em cima do tempo 
2 mãos em debandada 
……. voando por um corpo incerto 
3 horas de chuva intensa 
……. deixando a alma encharcada 
4 cerejas no prato 
……. sobremesa rejeitada 
5 dedos que eu esqueço 
……. por serem da mão esquerda 
6 estrelas que reconheço 
……. serem minhas aliadas 
7 jornadas levadas 
……. por pensamentos insanos 
7 dias sem os santos 
……. num Junho perdido na estrada 
7 colheres de areia 
……. dum castelo, de uma praia 
7 contos, são de fadas 
……. que já não são encantadas 
7 palavras cruzadas 
7 minutos de sono 
7 anjos já sem guarda 
....... pairando nas bermas do céu 
……. esperando pelas contas 
……. que o poeta escreveu