Poemática por Nuno Guimarães
Publicado a 15 de Julho de 2012



    


E a matemática pediu namoro à poesia, mostrando-lhe todas as suas qualidades que passavam por sinais aritméticos de riqueza, campos cheios de raízes quadradas e um coração infinito, onde cabiam todos os números perfeitos, como convém a quem se quer apaixonar. Ela, a poesia, achou-lhe graça. Encontrou-lhe alguma métrica e deixou-se deslizar em hipérboles que sendo linguísticas a levaram a exageros que nem o teorema de Pitágoras conseguira resolver. As incógnitas desta relação eram muitas, atendendo às suas personalidades ímpares, com números primos à mistura. Foram vivendo numa matriz de entendimento construída por rimas pouco lógicas e amores em fracções de denominador comum que sustentavam médias de paixão numa POEMÁTICA difícil de teorizar…   

Nuno Guimarães - ex-engenheiro, leitor de Português nas Universidades de Vilnius e de Vytautas Magnus (Kaunas), com manias de poeta…   


Artigo de Julho  

Matemática - Clube SPM
 

    Título: Irracional Tempestade


Declarada guerra!

Os números naturais, deixaram de ser naturalmente 

... pacíficos 

e a guerra instalou-se!

Guerra entre não primos e primos

de cabeça alterada. 

Guerra de família 

números do mesmo sangue

despedaçando-se em bocados

num papel quadriculado 

reciclado

que se manchou de despojos

que se encheu de farrapos 

de borracha esbranquiçada

arma mortal inventada

na era dos descobrimentos.

Euclides irritou-se

e dos céus de Alexandria 

soprou, soprou, soprouuuuuuuuu 

violenta tempestade

sobre o campo de batalha.

E em perfeita agonia

a irracionalidade chegou

aos números dilacerados.


Morreram em pequenos bocados

na memória de Hipaso

Hipaso de Metaponto