Entrevista com António Pinto - Atleta olímpico
Clube de Matemática da spm
Publicado a 31 de Maio de 2013

Entrevista com António Pinto - Atleta olímpico

 

  



António Pinto nasceu em Vila Garcia, Amarante a 22 de Março de 1966, fez recentemente 47 anos. Foi um dos melhores atletas de sempre no atletismo mundial sendo especialista em provas de longa distância. Começou a carreira em 1986 após trocar o ciclismo pelo atletismo representando o clube da sua terra, o Amarante, onde esteve até 1987, transferindo-se para o Futebol Clube do Porto onde correu até 1991. Em 1992 e 1993 rumou a sul onde representou o Sport Lisboa e Benfica. Posteriormente, mais a sul representou o Maratona Clube de Portugal entre 1994 e 2002. Venceu a Maratona de Londres em 1992, 1997 e 2000, a Maratona de Berlim em 1994 e a final dos 10 000 metros no Campeonato da Europa de Atletismo de 1998 em Budapeste. O seu recorde pessoal na maratona é de 2:06:36 em 2000 na mítica maratona de Londres que permanece recorde português e europeu. Competiu em quatro Olimpíadas consecutivas: Seul em1988, Barcelona 1992, Atlanta 1996 e Sidney em 2000. 

António Pinto dedicou-se à corrida de fundo desde 1986 terminando seis maratonas com tempos inferiores a 2:09:00, o que faz dele um dos melhores maratonistas da história do atletismo mundial. Retirou-se das competições em 2002 deixando um bonita história no atletismo português.


Como foi a sua infância?
Foi uma infância vivida em Amarante, muito feliz mas humilde. Tive o essencial numa infância marcada pela ausência de algumas coisas comparado com aquilo que hoje posso dar ao meu filho.

Como era a escola aos 10 anos de idade?
Fiz na altura a escolaridade obrigatória, a denominada quarta clase e o ciclo preparatório. Fiz na escola o percurso de uma criança normal. Gostava muito da escola.

E das aulas de matemática. Algumas recordações?
Lembro-me perfeitamente de ter um raciocínio muito rápido nas contas, a adicionar, subtrair, multiplicar e dividir. Tinha um pensamento bom em relação aos cálculos matemáticos. Era uma área que gostava muito. 

O seu filho gosta muito de matemática...
Sim, o meu filho gosta muito de matemática. Recentemente numa prova global tirou muito bom, com uma classificação muito próxima dos 100%. É um bom aluno a matemática. Fico muito contente que ele goste da disciplina e que aproveite as capacidades que tem para ter um desenvolvimento positivo na escola. A matemática faz parte integrante dessa aprendizagem que eu espero que seja fundamental no seu futuro.

Quando é que começou a correr no atletismo?
O atletismo surgiu na minha vida quando tinha 15 anos de idade. Foi no dia 25 de abril na cidade de Amarante. Havia uma corrida que tinha sido agendada para esse dia. A associação desportiva de Amarante fez-me um convite para correr nesse dia. Fui segundo na geral. Logo, aí começou o atletismo.

O atletismo é um desporto muito exigente...
O atletismo é um desporto muito exigente em termos físicos, onde tem de se ter uma vida de sacrificio se o objetivo for de atingir bons resultados, perseguindo a ideia de se ser um atleta de nível mundial. Um desporto coletivo é muito mais fácil uma vez que, em determinados momentos da competição, aquando de lesões, os atletas podem ser substituídos por outros. No atletismo isso não acontece. O atleta uma vez lesionado, tem de fazer uma boa recuperação para poder competir ao mais alto nível. Só podemos contar connosco. 

 

Da esquerda para a direita: Paulo Catarino (atleta Olímpico); Albertina Dias (atleta olímpica); António Pinto (atleta olímpico); Carlos Marinho e Rosa Mota (atleta olímpica).


O António Pinto foi um dos melhores fundistas mundiais. Como se consegue atingir esse nível na competição?
Tive a felicidade de fazer durante muito anos aquilo que gostava. De correr. Atingi resultados muito bons no atlestismo, desde recordes europeus, mundiais, ganhei provas em muitas partes do mundo, dediquei-me de alma e coração a esta modalidade. Tive a sorte de ser um atleta com algumas caraterísticas que me permitiam ser um dos melhores do mundo. Para além de ser um fundista, tinha também a capacidade de ser também um bom meio-fundista que permitiam gerir melhor as corridas que realizava. Não é muito fácil um atleta de alta competição ser meio-fundista e ao mesmo tempo ser fundista. Eu tive essa felicidade.

Esteve presente em 4 jogos Olímpicos, 3 campeonatos do Mundo, 3 campeonatos da Europa, 5 campeonatos do mundo de corta-mato...

É verdade, tive a felicidade de correr em todo o mundo, onde participei em 4 olimpíadas, campeonatos do mundo e da europa. De Seul em 1988 até Sidney em 2000 foram competições muito importantes na minha carreira. Todas as corridas forma especiais para mim.


A maratona de Londres foi um local mítico para o António Pinto...
Sim, é verdade. Venci a maratona de Londres por 3 vezes e juntei outros bons resultados. Mas como disse anteriormente, consegui no atletismo alguns recordes europeus e mundiais muito mais importantes na minha vida de atleta.

Que caraterísticas deve ter um atleta para atingir o topo do atletismo mundial?
Primeiro deve ter jeito pata o atletismo, tem de gostar de correr e ter caraterísticas específicas excelentes para modalidade. Depois tem de treinar muito, ser muito disciplinado, ter muito sacrificio, dedicado em todo o seu percurso na alta competição.

Neste momento o que faz o António Pinto?
Neste momento não estou a 100% no atletismo. Apoio sempre que posso o atletismo. Sou muitas vezes solicitado a participar em eventos desportivos, a visitar escolas, tento de alguma maneira dentro do tempo disponível que tenho ajudar sempre que posso. Para além disso, dedico-me a alguns investimentos, embora o país neste momento não esteja bom para o fazer. Contínuo a estudar para tentar terminar o meu curso de educação física, dedico-me sempre que posso à agricultura.


Por Carlos Marinho