Entrevista do clube mês de Março com Marisa Cruz
Publicado a 01 de Março de 2011

entrevista com marisa cruz




Nasceu em Angola. O que nos pode “contar” da sua infância?

A minha infância foi muito feliz. Guardo muito boas recordações. Vim de Angola ainda muito pequena e tive a sorte de vir viver para uma aldeia pequenina, no interior de Portugal. A vida na aldeia é muito mais calma; há tempo para tudo e é tudo muito mais ligado à natureza…


Lembra-se como e quando “equacionou” seguir a profissão de modelo?

Tudo aconteceu por mero acaso…

A minha mãe levou-me a uma agência em Lisboa e fui logo aceite.

Comecei a trabalhar e tudo foi acontecendo naturalmente. Na altura não era um sonho meu, mas aconteceu e olhando para trás agradeço por ter escolhido esta profissão.


Na matemática temos um conceito de infinito (∞), alguma vez sentiu que um desfile nunca mais acabava?

Já… Várias vezes…

Há aqueles que nunca mais começam porque tudo se atrasou e depois há os outros que até começam a horas, mas são tão longos e parecem uma eternidade.

Nos anos 90 estavam muito na moda os desfiles com coreografia muito marcada – os ensaios demoravam horas - e com várias idas à frente da passerelle com cada coordenado de roupa, sozinha, a par, a três, em grupo… Era muito difícil, muito cansativo; era a minha sensação de infinito…


A Matemática tem muitas fórmulas. Qual é a sua fórmula para encontrar boas soluções para áreas profissionais tão diferentes (mãe; modelo; actriz, apresentadora de televisão, empresária)?

A minha fórmula secreta é: (calma + paciência)2 + organização  x muito amor.


O matemático Albert Einstein disse que “o único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.” Concorda?

A 100%. O trabalho, a vontade e a perseverança são condições indispensáveis para se alcançar os nossos objectivos.


A Marisa em criança gostava de matemática?

Não. Nada mesmo. Sempre me identifiquei muito mais com o português, a história e as línguas estrangeiras.


Se o seu filho João chegar a casa e, lhe disser que não gosta de matemática, qual seria a sua reacção?

Primeiro terei que perceber porquê, qual a razão que o leva a sentir isso.

Tenho a convicção que o facto de gostarmos ou não de matemática (como de qualquer outra disciplina) tem uma ligação directa com os professores que temos. Faz toda a diferença. Um bom professor, para além de ter a capacidade de saber ensinar, tem que saber cativar o aluno e interessá-lo pela disciplina que lecciona.

Depois de entender a razão, tentaria encontrar apoio na escola para solucionar o problema.

A matemática, a par do português, é a disciplina curricular mais importante.


A educação dos seus filhos, em particular a matemática, é uma das usas prioridades enquanto educadora e mãe?

Sem dúvida. É fundamental gostar daquilo que fazemos na vida. Já gostando, temos que viver a luta do dia-a-dia.

Conheço vários casos de pessoas que desistiram daquilo que queriam por causa da matemática. Não quero que isso suceda com os meus filhos…


Para si 8 vezes cinco são quarenta ou são uma quantidade de vestidos lindos de uma colecção a desfilar numa passerelle?

Para mim 8 vezes 5 são mesmo quarenta. Sou muito minuciosa e muito prática naquilo que faço.


Se acertasse nos “números” do Euromilhões colocava a hipótese de comprar o Benfica ou outro clube para ter o prazer de o João Pinto jogar de novo?

Nem pensar nisso. Primeiro porque aprecio muito a disponibilidade e o tempo que o João tem agora para a família; depois, porque gerir um clube de futebol deve ser tarefa bem difícil e se acertasse nos números do Euromilhões teria outros planos bem mais calmos para aplicar o prémio.


Quando se chateia “conta” até 10?

Tento… mas ainda só consigo chegar até 7. Tenho feito progressos: antes só conseguia contar até 3 antes de perder a paciência…

Daqui a uns anos, com a prática, vou conseguir chegar aos 10, se respirar fundo várias vezes…


José Saramago referiu que "hoje em dia, os nomes já não possuem significado. O que importa são os números: o número da conta, da identidade, do passaporte. São eles que contam." Acha que a nossa sociedade devia ligar mais às pessoas e menos aos números?

Acho sinceramente que, como em tudo, devemos é encontrar um equilíbrio. Com nomes, com números, mas sobretudo colocar em primeiro plano as pessoas enquanto tal, respeitando a sua dignidade e os seus direitos fundamentais.


Por Carlos Marinho