A Raposa... por José Carlos Pereira - contos de 3º grau (Episódio III)
Contos de 3º Grau - História 20
Publicado a 11 de Setembro de 2017

A Raposa... por José Carlos Pereira nos contos de 3º grau - Episódio III

Contos de 3º Grau - História 20

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Título: “A Raposa...” - História 20

            Episódio I - Carlos Marinho            Episódio II - Gonçalo F. Gouveia             Episódio III - José Carlos Pereira

            Episódio IV - José Carlos Santos.    Episódio V - José Veiga de Faria.            Episódio VI - Sílvio Gama.                

  


Episódio I por Carlos Marinho - Dia 1

Numa aldeia longínqua e bela de Trás-os-Montes, a dona Maria apanha lenha na serra e algumas pinhas para um cesto de vime. O inverno vai ser rigoroso e nada melhor que juntar alguma madeira no fim do verão para o aquecimento nos dias de maior frio. Com o cesto cheio, pôs o pés ao caminho, em direção a casa, torneando as grandes árvores da floresta. Volvidos alguns instantes, sentiu uns barulhos esquisitos mesmo atrás de si. Pareciam passos. Olhou para trás e num tom de voz forte disse: - Quem está aí? Quem vem lá?  
Não houve resposta. Os barulhos esquisitos tinham desaparecido. Com algum receio acelerou o passo em direção a casa. Os passos regressaram. O sentimento de medo apoderou-se de Maria. Mas quem seria? - pensava ela.  
Nisto, estava à porta de casa. Respirou fundo. Mas, a curiosidade apoderou-se dela. Já em terreno seguro, no seu quintal, olhou energicamente e corajosamente para o outro lado da rua e deu um grito. Estava do outro lado da estrada um animal parecido com um cão. Mas não era um cão, era uma raposa…


Episódio II por Gonçalo F. Gouveia - Dia 6

A Dona Maria sorriu para si própria – Que tonta! É só um pilha-galinhas… Remoendo o embaraço de tão inútil sobressalto a viúva recente remexeu os bolsos em busca da chave de casa. Extraiu-a do bolso e ensaiava uma pontaria difícil à fechadura quando, pelo canto do olho bom – que era o esquerdo, porque o olho direito consumiram-no décadas de vigilância épica ao falecido, que era danado para fisgar rabos-de-saia, o demónio, que Deus o tenha, pelo canto do olho apercebeu-se que a raposa se tinha aproximado do portão. 

– Olha o descaramento! Vociferou, entre a indignação e a inquietação que aquela persistência lhe causou. Apanhou do chão uma pedra, mas no momento de a projetar olhou com a madeixa branca em forma de crescente na testa do animal. Um choque medonho apoderou-se dela – Não pode ser… é a mancha do falecido! – balbuciou. Aproximou-se mais e escrutinou as patas traseiras do canídeo: lá estava, para além de qualquer dúvida, a perna direita mais curta do ‘seu’ defunto Antunes. 

– Ai Jesus – exclamou – Antunes, que fazes tu dentro desse bicho?


Episódio III por José Carlos Pereira - Dia 11

  

Não obteve resposta! Num tom assustado e gaguejando perguntou:

− Mas, mas o que fazes tu aqui?

Agora sim, o Antunes respondeu-lhe:
− Vim ver-te, tinha saudades tuas e do nosso Pedro!
A Dona Maria estava incrédula. Não entendia como era possível estar a ver e a falar com o seu defunto marido. Seria uma visão? Estaria a sonhar? Olhava em seu redor para ver se detectava algum sinal de que tudo aquilo não passaria de um sonho, mas nada! Não havia nada que lhe indicasse que o que se estava a passar não era a mais pura das realidades. “Como é possível?!” – pensou ela! Entraram, abraçaram-se e disse-lhe que sentia muito a sua falta. 
Em seguida falou-lhe do Pedro:
− Sabes, também tenho muitas saudades dele. Desde que foi para a América fazer o Doutoramento que nunca mais o vi. Falo com ele uma vez por semana. Ele tenta explicar-me em que consiste o seu trabalho, mas eu não entendo. Aliás, eu não entendo como é que aquilo é Matemática!
De repente ouve-se um barulho, a imagem do Antunes parece ser cada vez mais difusa e distante. A Dona Maria acorda sobressaltada e percebe que tudo não passou de um sonho, infelizmente. O barulho é o de alguém a bater à porta.  


Episódio IV por José Carlos Santos - Dia 16


Episódio V por José Veiga de Faria - Dia 21


Episódio VI por Sílvio Gama - Dia 26


FIM