Linhas e Pontos por Carlos Marinho
Clube de Matemática SPM - Novembro de 2017
Publicado a 10 de Novembro de 2017



 

Este espaço vai ser dedicado a aspectos simples da vida em contexto real, em que a matemática pode entrar como elemento surpresa. Em síntese, estas "linhas" terão como base "pontos" comuns da nossa vida, em que a objectividade da Matemática pode fazer compreender alguns "problemas" que vão surgindo em contexto real. Como afirmou Pitágoras, "Todas as coisas são números". Nesta rubrica tudo cabe... até a matemática.                                      

   

Carlos Marinho -  Professor de Matemática e Coordenador do Clube SPM                                        



Linhas e Pontos por Carlos Marinho - Muitos porque fazem Muito!

Clube de Matemática SPM - Novembro de 2017 

Clube de Matemática SPM

Facebook Clube SPM

Título: Muitos porque fazem muito!


Por estes dias num canal generalista um comentador dizia “os professores estiveram congelados 9 anos e 4 meses, serão os únicos funcionários na administração pública cujo tempo de serviço não contará para nada porque são muitos”. Em síntese, ele justificava que o dinheiro que se ia gastar com os professores na recuperação do tempo de serviço do trabalho que desenvolveram honestamente era um exagero e um desperdício e o país não podia suportar. Dizia “são muitos!” 


Vamos ao que interessa. O que eu digo em resposta a esta enormidade é: os professores em Portugal são muitos porque fazem muito! Todos os dias as escolas estão cheias de crianças e jovens, do pré-escolar ao ensino superior. Todos os dias! São 1 629 116 alunos matriculados no ensino público em Portugal. A população portuguesa está estimada em 10 281 790 pessoas. E aqui, entra a matemática. Que outra atividade/instituição em Portugal tem tantas pessoas (as mais importantes) num local só? Nenhuma outra atividade/instituição. Só a escola! São quase 16% da população portuguesa que está todos os dias úteis na escola. A fazer o quê? A aprender entre outras coisas a não serem ignorantes para mais tarde não dizerem disparates na comunicação social.  

 


Se existe algum funcionário público (quadro superior) que trabalha muito e bem no nosso país é o professor. Turmas a 25, 26, 27..., mas quem é que atende 25, 26, 27 pessoas ao mesmo tempo? Ninguém! O professor tem sempre trabalho, o de ensinar, educar, ser resiliente, construir o futuro na sala de aula em condições difíceis. O romancista e poeta Victor Hugo autor de "Les Misérables" defendia que “quem abre uma escola fecha uma prisão”. Logo, quem fecha uma escola abre o quê?


Sim, o futuro constrói-se na escola. A escola é o meio privilegiado para se aprender e o professor é o gestor dessa aprendizagem. O Rei de Portugal D. Pedro II, apelidado de “o pacífico” dizia “se não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro”.

Eu tenho orgulho do trabalho vital que a escola pública faz. A escola não é um paraquedas ou uma boia de salvação. Não é uma instituição qualquer. Não! A escola é o avião ou o barco. Se a escola cair, caímos todos. Se a escola for ao fundo, afogamo-nos todos. Não sobra ninguém. Na escola todos nós andamos: professores, médicos, pilotos, carpinteiros, reclusos, camionistas, pedreiros, enfermeiros, engenheiros, informáticos, militares, policias, advogados, juízes, comentadores, escritores, economistas, gestores, jornalistas entre outras profissões afins e todos nós recordamos a escola como o melhor tempo das nossas vidas. 

A escola é uma esponja que absorve muitos dos problemas da sociedade mas não os resolve todos. E porquê? Porque somos poucos...

O cientista alemão e prémio Nobel da física em 1921 Albert Einstein dizia com sabedoria “tenha em mente que tudo que você aprende na escola é trabalho de muitas gerações... receba essa herança, honre-a, acrescente-se a ela e, um dia, fielmente, deposite-a nas mãos de seus filhos.” Dixit.