Poemática por Nuno Guimarães
Publicado a 15 de Dezembro de 2011




 


E a matemática pediu namoro à poesia, mostrando-lhe todas as suas qualidades que passavam por sinais aritméticos de riqueza, campos cheios de raízes quadradas e um coração infinito, onde cabiam todos os números perfeitos, como convém a quem se quer apaixonar. Ela, a poesia, achou-lhe graça. Encontrou-lhe alguma métrica e deixou-se deslizar em hipérboles que sendo linguísticas a levaram a exageros que nem o teorema de Pitágoras conseguira resolver. As incógnitas desta relação eram muitas, atendendo às suas personalidades ímpares, com números primos à mistura. Foram vivendo numa matriz de entendimento construída por rimas pouco lógicas e amores em fracções de denominador comum que sustentavam médias de paixão numa POEMÁTICA difícil de teorizar…

Nuno Guimarães - ex-engenheiro, leitor de Português nas Universidades de Vilnius e de Vytautas Magnus (Kaunas), com manias de poeta…


Artigo de Dezembro


Título: uma progressão de natal


mês 12, mês de dezembro, penso que ainda me lembro
ser 2011, o ano, e 25, o dia, que de Roma a Pavia
dizemos ser de Natal
é
um número especial - 12.201.125
doze milhões, duzentos e um mil
cento e vinte cinco
e brinco
e matutando
matematicamente falando
acho que algo inventei.
 
recordo hoje o “pi”  (π ≈ 3,14159265358979323846...)
que serviu de álibi
para uma relação curiosa
de uma circunferência famosa.
agora o meu “natal”
(não me levem muito a mal):
uma sequência crescente
limitada inferiormente
de um modo natural
 
ganhou vida, a sequência
achou-se bem diferente
e com um ar sorridente
assumiu-se progressão.
diziam-lhe as invejosas
que não, que não era progressão
que não a tinha
(a razão)
e que por definição
teria de a possuir
era uma coisa inventada
em perversa madrugada
por um poeta a fingir.

condenada! sem razão!
ordem dada à progressão!

razão 100 (r = 100)
respondo eu, defendendo a donzela
ou seja a minha invenção
(12.201.125, 12.201.225, 12.201.325, 12.201.425, …)
e usando a poemática
defino o termo geral
(a =  an-1 + r = a1 + (n – 1) r
deixando a progressão
com um ar angelical
a cintilar à janela




Artigos de meses anteriores:


Artigo poemática de Dezembro - "Uma progressão de Natal"


Artigo poemática de novembro - "Números de Outono"

 

Artigo poemática de outubro - "Teorema dos Amor dos Conjuntos Infinitos"


Artigo poemática de setembro - "As Contas Todas"