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À conversa com... Leonel Moura
Artista Plástico
A Matemática dos Robôs Pintores
É um artista diferente. Ao invés de pintar, constrói robôs que o fazem. Depois, assinam – o criador e a criatura – os quadros. E, claro, nesse processo há muita matemática.
Há quanto tempo trabalha com arte e matemática?
Há cerca de dez anos comecei a fazer trabalhos de arte tendo como base a ciência, a tecnologia, e portanto a matemática.
Quem desenvolve os algoritmos para os robôs?
Sou eu. Há uma base que é feita por um engenheiro que colabora comigo, mas depois desenvolvo conforme a experiência me vai ensinando.
Têm uma base matemática forte.
As ideias que esses robôs têm dentro da cabeça são matemática. Fazem quadros baseados em contas. Hoje conseguimos usar a matemática de maneira a produzir resultados não lineares. Não é tanto dois e dois são quatro, é mais arranjar maneira de algumas contas resultarem em algo inesperado. Isso é o que simula o comportamento dos animais, da vida, de nós. Quando estamos num sítio e decidimos se vamos para a esquerda ou para a direita, tomamos essas decisões por muitas razões, e a gente não percebe. O robô faz a mesma coisa, eu ponho-lhe uma séria de regras dentro da cabeça mas quem decide é ele.
Há uma parte de aleatório…
Esses robôs têm muito disso. Quando digo que decidem se vão para a esquerda ou para a direita é baseado no acaso. Para tomar essas decisões é como se estivessem sempre a atirar uma moeda ao ar. Mas não é só para virar, é para pintar, é para tudo.
E a escolha das cores, também é aleatória?
Não. Têm uma espécie de olhos, uns sensores, e estão a ver a pintura que estão a fazer. Se vêem uma cor vermelha vão pintar outra vez com o vermelho, não com o verde ou o azul.
Isso é novamente matemática.
Eles transformam a cor em números. Digamos que o vermelho é o número 50. Quando vêem o vermelho estão a ver o 50.
Fez uma série de trabalhos com os Diagramas de Voronoi.
Foi aí que eu comecei. São figuras geométricas muito curiosas e dinâmicas, mexem. É como se fosse uma rede – quando mexemos num lado, o outro vai-se distorcer todo. Utilizei essa geometria para depois fazer uma série de quadros, pintados à mão. Mas com base nesse processo.
Quais são os próximos projectos?
Em breve vai haver um robô pintor muito engraçado, maior do que estes, no Pavilhão do Conhecimento. Os jovens vão poder manipular o algoritmo, e depois põem o robô a pintar com o algoritmo que fizeram. Fica um quadro deles. Vão mudar alguns valores, e depois vêem a diferença que aquilo produz no robô. (Kalkular, suplemento do jornal Público, Novembro de 2006)
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